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Educação e Desenvolvimento no Brasil
Paulo Nathanael

Escrever sobre o tema educação não é uma tarefa fácil, pois abrange diversos tópicos complexos. Buscar respostas para questões que parecem insolúveis no método aplicado no Brasil é a proposta de Paulo Nathanael em seu novo livro, que traz artigos sobre o tema.

A educação é um dos setores mais importantes para o desenvolvimento de uma nação. É através do conhecimento que um país cresce. Para evoluir, é preciso investir em uma educação de qualidade tanto na escola (Ensino Fundamental e Médio), quanto na universidade. Com a proposta de abordar a questão da educação no Brasil, o educador Paulo Nathanael lança, em dezembro, o livro Educação e Desenvolvimento no Brasil, publicação da Integrare Editora.

A situação da educação no Brasil apresentou melhorias significativas no final do século XX. No entanto, este índice ainda não é satisfatório. Enquanto o nosso país não evoluiu o que era esperado, os tigres asiáticos ultrapassaram o Brasil e hoje a educação está em ascensão nesses países, diferente do que acontece nas nações da América Latina. E qual a solução para isso? Nathanael mostra que existem sete passos para conseguir um desempenho desejável no crescimento educacional: concentrar recursos públicos no ensino básico; conceder melhor formação e melhores salários aos professores; investir nos pólos universitários para a área tecnológica; criar políticas de pesquisas acadêmicas voltadas para as demandas de mercado; exigir dos estudantes que dediquem tempo de estudo nas escolas de, pelo menos, oito horas por dia.

Em Educação e Desenvolvimento no Brasil, o educador e professor caminha por todas as etapas da educação e apresenta algumas soluções viáveis para governo e sociedade obterem êxitos em suas ações. Para o educador, a responsabilidade social mais urgente para nosso país é a educação do povo, com qualidade e condicionada pelo progresso científico e tecnológico e a instituição do comportamento ético, como valor a inspirar as relações diárias entre as pessoas e a presidir os atos dos governantes. "Tanto a ética, como a educação de qualidade, devem ser as vigas-mestras da construção do capital social que entre nós haverá de dar sustentabilidade ao desenvolvimento nacional", completa.

Um tema bastante recorrente na obra é a Educação à Distância (EAD), tratada como a maior inovação da Era do Conhecimento no setor educacional. O programa nada mais é do que um processo de ensino, mediado por tecnologias, onde professor e aluno não estão juntos fisicamente, mas podem estar conectados por diversos meios, principalmente pela Internet. Entretanto, podem ser utilizados também o correio, rádio, televisão, vídeo, CD-ROM, telefone, fax e outras tecnologias semelhantes. O autor explica que a EAD será a grande arma que permitirá a todos participarem da guerra competitiva que emplacará na convivência humana do século XXI.

Paulo Nathanael aborda também a questão da multiplicação de cursos de ensino superior, que adota critérios permissivos. Uma solução viável para esse problema, segundo ele, seria introduzir um exame de ordem no setor, como acontece com a prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Esta prova seria aplicada em faculdades que formam profissionais responsáveis pela vida, pelo patrimônio e pelos direitos básicos das pessoas, como cursos das áreas da saúde, da engenharia e das ciências jurídicas.

Analfabetismo
O autor classifica o analfabetismo em três classes: o analfabetismo puro, funcional e tecnológico. O analfabetismo puro é considerado como o primeiro tipo de analfabeto e é somente formado por pessoas que não sabem ler nem escrever. O segundo tipo, mais grave que o primeiro, são os chamados analfabetos funcionais, pois apesar de terem escolaridade de ensino básico, mal sabem ler e escrever e normalmente não conseguem fazer uma operação aritmética com números de três algarismos e afeta milhões de brasileiros. O terceiro tipo é composto por pessoas que não têm acesso à Internet, chamados de analfabetos tecnológicos. A Internet é a grande escola do momento e permite que o usuário navegue pelo mundo, sem sair de casa. Atualmente, de acordo com a obra, apenas 12% da população brasileira têm intimidade com a Internet, pois o computador ainda não se tornou um utensílio doméstico, como nos países centrais.

Estágios
O educador defende que todos os estudantes, sejam eles de cursos universitário ou médio, têm o direito de estagiar. O CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), em 44 anos de existência, teve a oportunidade de servir e amparar mais de seis milhões de estagiários, dos quais dois terços se convertem em empregados de carteira assinada na própria firma onde estagiaram. Para Nathanael, os estágios são primordiais para a formação do estudante. "O estágio sempre foi visto como atividade indispensável de fim de curso, para que o estudante possa completar sua formação, de um lado aplicando, na prática, alguns conceitos teóricos aprendidos em sala de aula e, de outro, iniciando-se na cultura específica das empresas e organizações sociais, como passaporte para o seu futuro desempenho profissional", conclui.

Contudo, existem alegações pró e contra o estágio, particularmente o de ensino médio. Como ponto positivo, o estágio permite ao estudante a inclusão social, pois permite ao aluno aprender e, ao mesmo tempo, concede-lhe um ganho mensal (bolsa-auxílio). Assim, o estagiário paga seu estudo, cobre despesas pessoais e pode até ajudar familiares. O lado negativo, apontado por setores ligados a órgãos públicos, é que o estágio frauda a relação de emprego; prejudica o estudo, pois sobrecarrega o aluno; não existe o estágio do ensino médio, por esse grau de ensino não se vincular à formação profissional do estudante e, por fim, o tempo de estágio impede o aluno de desfrutar de lazeres.

Nos 34 artigos que compõem a obra, Paulo Nathanael aborda temas pertinentes que são recorrentes quando o assunto é a educação e o desenvolvimento do conhecimento em nosso país. Ao apresentar propostas coerentes e de fácil realização, o autor mostra que o Brasil pode evoluir, basta ter o apoio do governo, do estado e, principalmente, da sociedade.